GENEROSIDADE: história sobre desapego, sucesso e “fazer a diferença”

Duas crianças brincando, uma delas eé cadeirante com um aviaozinho na mão.
 
Uma abordagem sobre o “Valor Humano Generosidade” e um paralelo
com o Livro do autor Adam Grant – “Dar e Receber”.
—  Artigo de Vânia Faria  —

Há algum tempo comecei a observar quais eram as pessoas mais admiradas nos círculos de convivência dos quais eu participava. Fui juntando características em comum destas pessoas e vi que primeiro eu admirava mais os generosos e gentis. Depois observei que esses também eram queridos e admirados não só por mim, mas pela maioria das pessoas dos círculos.

No grupo dos generosos e gentis encontrávamos pessoas de diversas áreas profissionais, etnias, faixa etária, tímidos, expansivos, e a fama e admiração entre todos eles era visivelmente observada e comentada. Sempre se ouvia elogios e recomendações dos outros para estes que estão sempre oferecendo cuidados e atenção a todos os que com eles convivem.

Bem, no artigo de hoje vou explorar as características das pessoas Generosas, ou seja, as pessoas que vivenciam o valor humano “Generosidade”. No próximo artigo tratarei do tema “Gentileza”, e as características demonstradas através deste outro valor humano.

Generosidade – a centelha para uma humanidade mais evoluída

Eu tive uma avó materna que foi talvez a pessoa mais incompreendida pela própria família. E hoje, com a maturidade que tenho, aliada à percepção humana desenvolvida através de meu trabalho e missão de vida, vejo que ela era incompreendida apenas por alguns familiares que queriam que ela se encaixasse no “padrão estabelecido” para as mulheres daquela época em uma região ainda provinciana no Brasil.

Foi julgada e criticada por eles pelo simples fato de ser “generosa” demais.  Eu ouvia em minha infância, de alguns parentes próximos, que ela se deixava ser usada pelas pessoas, que era boba, ingênua e que não percebia que doava muitas vezes para quem não merecia.

Já sua popularidade com as pessoas externas à família (amigos e estranhos) era gigantesca. Filas se formavam em frente à sua casa, de pessoas esperando receber sua ajuda. Pessoas de lugares longínquos a buscavam nas madrugadas para ajudar em partos complicados ou curas aparentemente sem diagnósticos, uma vez que encontrar um médico naquela região era algo muito difícil.

Quais pessoas estavam certas? Aquelas que a julgaram ou as que estavam sempre à sua procura para um apoio ou cura?

Hoje eu tenho clareza sobre qual público estava certo. Minha avó foi umas das melhores almas que já vi pessoalmente. Quase santificada. Não tinha medo de dar o que tinha para os outros, principalmente aos pobres e oprimidos. Ela não sabia da existência de um valor oposto à generosidade e extremamente limitante chamado “escassez”. Ela acreditava no fluxo da vida, sabia que o universo a proveria de suas necessidades, pois ela tinha fé, amor pelos humildes e pelos descrentes e desesperançados. Ela dava amor, alimento, remédios (inclusive montou uma farmácia de remédios à base de ervas em sua casa – especializou-se nisto mesmo com pouquíssimo estudo), era parteira, benzedeira, e ao final de sua vida dividiu sua própria casa com mendigos “sem teto”, ajudando-os até o seu último dia de vida.  

Às vezes quando eu relembro a vida de minha avó até me sinto pequena. Mas foi olhando para a vida dela, e para a vida de minha mãe que também é uma pessoa extremamente generosa – usando seus dons de outras formas – foi que descobri que eu também deveria aprender sobre este valor humano, ou talvez integrar o que já havia vivenciado em minha própria casa com aquelas duas mulheres fortes e formidáveis, que me mostraram a base e a essência do que podemos chamar de amor pela humanidade.

Decididamente eu admiro as pessoas generosas de alma. E sei que as pessoas em sua maioria também admiram os generosos. Essas pessoas sempre tem histórias inspiradoras para serem contadas, quando assumidamente  se posicionam no time das  doadoras genuínas. Doam seu tempo, seus dons, seu trabalho, a escuta, dinheiro, e muitas outras coisas pelo simples fato de poderem ver os outros se sentirem bem. Gostam de ajudar e colaborar. Gostam de ver que estão deixando um legado ligado ao amor e a melhoria dos seres humanos. E isto é o que podemos chamar de humanismo. Fazer o bem para os outros, seja em pequena escala ou grande é uma forma de demonstrar amor e desprendimento. É uma forma de estar a serviço do outro, o que podemos também chamar de “orientação para o outro”.

E como o tema generosidade sempre foi algo muito presente em minha vida desde a primeira infância, é também algo que quis estudar e me aprofundar, até mesmo porque eu desejava imensamente seguir o caminho daquelas duas mulheres da minha vida. Sempre estou estudando algo sobre o tema, lendo e pesquisando histórias de pessoas generosas. Até que a alguns meses me deparei com um livro sensacional e que abriu em definitivo a minha visão sobre o valor humano Generosidade.

Foi escrito por Adam Grant, pesquisador e professor da Wharton School nos EUA – chamado “Dar e Receber – Uma abordagem revolucionária sobre sucesso, generosidade e influência”.  Ao ler este livro minha vontade foi de que todos os brasileiros também pudessem ter acesso a ele, pois oferece insumos para entender algumas personalidade como a da minha avó e de minha mãe.

O próprio Adam Grant é uma pessoa muito generosa e demonstrou esta característica comigo quando eu escrevi para ele, através do Linkedin, pedindo permissão para usar citações de seu livro neste artigo. Ele imediatamente me respondeu dizendo que seria uma satisfação para ele – eu usar suas citações – e que inclusive ficaria feliz se eu mandasse o link do artigo no BLOG para ele ler. Se ele ficou feliz, imagina eu ao ver sua resposta… quanta generosidade. – Obrigada Adam!

E continuando, quando paramos para olhar de onde surge a generosidade podemos ver que ela surge em atitudes muito simples, como este gesto do Adam, ou ao abrir uma porta para uma pessoa com dificuldade, sorrir para uma pessoa desesperançada, ouvir alguém que necessite desabafar, ou ainda através de gestos sofisticados e corajosos como os que minha avó realizou durante mais de 50 anos de sua vida.

O mais importante não é nos apegarmos ao tamanho da obra e sim entendermos que as relações humanas ficam muito melhores e colaborativas quando existe o espírito de generosidade envolvido, mesmo que se comece praticando com atitudes simples e despretensiosas.  

Os “doadores”, como Adam Grant denomina em seu livro como sendo os “generosos”, são normalmente pessoas muito bem sucedidas naquilo em que se propõem a contribuir com o mundo. E estes doadores, ao contrário do que se imagina, são também as pessoas que conquistam com maior frequência respeito, admiração e sucesso nos ambientes onde trafegam.

Então ser generoso ajuda ao próximo e também ajuda a própria pessoa? Sim, pois os generosos ou doadores, como queiram chamar, são pessoas muito queridas e que acabam recebendo o que necessitam em troca, ou às vezes em moedas múltiplas – entenda como moeda aquilo que a pessoa valoriza. Por exemplo, minha avó não valorizava acumular riquezas, mas valorizava receber amor, gratidão, amizade, ver um desesperançado sorrir novamente. Essas coisas alimentavam a alma dela, e tenho certeza de que ela foi uma pessoa muito feliz e afortunada.  

As pessoas que são generosas genuinamente são como o raio do sol ao amanhecer. Vão chegando de vagar, de mansinho e aos poucos vão iluminando tudo e todos, sem pretensão de virar o centro das atenções. Fazem o que sabem fazer e o que suas almas pedem para elas fazerem. E por isso estão muito mais conectadas com as dimensões da espiritualidade e do desapego do que as demais que precisam receber para sentirem-se completas. Os generosos gostam de dar, e não se preocupam muito com o receber. Mas de qualquer forma o fluxo da vida é perfeito. O próprio universo se encarrega de dar o retorno para estas pessoas.

Segundo Adam Grant em seu livro, as pessoas generosas não precisam fazer sacrifícios. Essas pessoas ajudam de forma despretensiosa e muito natural. O que seria um sacrifício para muitos, para os doadores pode ser algo que eles façam e ainda se sintam energizados. É por isso que a generosidade anda de mãos dadas com a missão de vida individual. Geralmente as pessoas que já identificaram suas missões de vida estão sempre atuando nelas e doando incansavelmente. Trabalham e não se cansam, ajudam, orientam, doam seu tempo e saem energizadas e animadas.  

As conclusões observadas por Adam Grant através de suas pesquisas também indicam que os generosos experimentam em suas vivências a “pronoia” – oposto de paranoia. Ou seja, além dele dar ao mundo, os outros conspiram a seu favor, normalmente fazendo recomendações, indicações, elogios, ajuda quando necessita e atenção. Eles não se preocupam em se autopromoverem, mas através da pronóia, sucesso e reconhecimento  acontece naturalmente.

Reflexão:

Imaginem um futuro onde cada vez mais possamos ser e ver pessoas demonstrando a generosidade. O que aconteceria conosco e com a humanidade?  O que estaríamos plantando para nós e para as futuras gerações?

————————————-

Este valor definitivamente precisa ser mais vivenciado e incentivado por pais a seus filhos, escolas, líderes de empresas ou comunidades, pessoas influentes e veículos de comunicação, etc.

A Humanidade tem “futuro”. Temos que ter fé nisto. Fé de que nós humanos estamos evoluindo para um mundo muito melhor e consciente. Um mundo onde o bem prevaleça, onde o amor sobrepuja a ignorância e a má fé. A humanidade precisa de mais e mais pessoas assumindo uma postura generosa. Nós merecemos, nós temos direito a uma vida muito melhor e satisfatória aqui mesmo no planeta terra.

————————————-

Nota:

O Valor Humano “Generosidade” está classificado no nível 5 de consciência – Coesão Interna – na escala de valores humanos do “Barrett Values Centre” – organização internacional detentora da metodologia Values Driven  e certificadora de consultores  de todo o mundo para trabalhar com “Valores Humanos e Organizacionais”.  Para mais informações sobre este método:

——————————————————————————————————————QUEM SOMOS: “A Evolução Humana é uma Consultoria em Desenvolvimento Humano e Organizacional com atuação em praticamente todos os serviços relacionados à DHO. “Criatividade e Inovação” é marca registrada do nosso trabalho. Paixão por gente, foco do cliente, agilidade, qualidade, visão sistêmica são valores vividos e aplicados nos projetos de nossos clientes. Em Educação Corporativa oferecemos: Mais de 100 temas, disponíveis nos formatos de Treinamentos, Cursos, Workshops, Oficinas de Aprendizagem e Palestras, in company. Atuamos também nas áreas de: cultura organizacional e transformação cultural por valores; academia de lideranças; coaching; inovação e sustentabilidade; seleção e formação de estagiários e trainees; processos de desenvolvimento organizacional; e remuneração. Levamos nossos serviços para todo o território nacional e já estamos atuando também fora do Brasil (Argentina, Espanha, Marrocos, México, EUA). Somos uma equipe multidisciplinar, formada por mais de 45 consultores de nível sênior. Estamos prontos para lhes servir! Peça-nos o nosso portfólio completo de serviços e de clientes através de nosso e-mail  [email protected]

Evolução Humana trabalha a favor da “Expansão da Consciência”.
Essa é nossa razão de existir!

Mais informações: http://www.evolucaohumana.com.br

Share the Post:

Posts relacionados

Mulher ao centro meditando e outras duas pessoas irritadas passando tarefas

Valores limitantes provocam entropia nas empresas

Valores limitantes, como medo do fracasso e resistência à mudança, provocam “entropia cultural”, desencadeando disfunção e desperdício de energia nas organizações. Sinais de entropia incluem falhas de comunicação e baixa produtividade. Para combatê-la, é vital simplificar processos, promover comunicação assertiva, garantir igualdade e fomentar integração. A Evolução Humana Consultoria é especialista em fortalecer culturas organizacionais para combater tais desafios.

Read More